sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Poema : Estranha

Estranha

Seus olhos negros refletem
Minha caótica solidão contida
Enquanto você se desveste
Suas curvas amenizam minha sutil ferida.

Solte seus cabelos... Digo e me calo
Os cachos cedem e caem sem apelo
(então você liga o chuveiro e eu vejo
meu pudor escorrer para o ralo)

Você me devora,
Sem importar com o gosto
Que ficará em seus lábios,
Preocupo-me com a hora,
Esqueço o tempo ao fitar seu rosto
Cujos traços são perversos e sábios.
E nossos corpos se entrelaçam
Explorando territórios
(sem limites ou freios)
Enquanto suas pernas me enlaçam
Me entrego a sentimentos compulsórios
Que percorrem tuas curvas sem rodeios.

Eu me perco nessa fuga,
Sinto suas mãos sobre meu peito
Minhas mãos seguem o movimento
Magistral de sua cintura
Quem é essa que me subjuga?
Quem é essa estranha neste leito?
Que domina corpo e pensamento?
Explode o corpo e o riso,
Esvai-se  o desejo louco
Que alimenta essa sanha
Que me consome,
Perdido pedaço do paraíso,
Mistério impreciso!
Quem és tu, estranha?
Que tampouco nunca saberei o nome!

Quadro de Walter Sickert






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